quarta-feira, junho 13



16 artistas por uma causa!
A Associação Projecto Criar (APC) fundada em 2011, é uma associação sem fins lucrativos. No seguimento de um longo trabalho já realizado de apoio jurídico, clínico e social a mulheres, crianças, jovens e famílias vítimas, a APC une-se agora à Galeria Geraldes da Silva para abarcar um novo projeto: A Exposição Solidária que reúne uma coletiva de vários artistas, conscientes do valor e da posição da arte enquanto veículo catalisador e crítico sobre as mais diversas questões sociais.

Esta mostra, a inaugurar no dia 16 de Junho pretende reunir um corpo de artistas de áreas muito diversas, (desenho, pintura, escultura, fotografia, etc.) cuja participação promova o alargamento do espectro reflexivo em torno das questões relacionadas com os princípios da associação. 

Nesta exposição solidária e coletiva, que durará até dia 28 junho, um dos objetivos centrais será a venda dos trabalhos expostos, revertendo em pelo menos 50% a favor da APC. 

terça-feira, maio 29


"Sopros expõe as diferentes visões de três estudantes de escultura sobre uma matéria em comum: o vidro. Este é formado a partir da mistura de elementos naturais e é considerado uma das mais surpreendentes descobertas da humanidade. Há milhares de anos que as matérias primas são as mesmas e desde essa altura que o vidro vive um ciclo de reciclagem quase infinito.
O vidro soprado sofre uma metamorfose: de liquido a viscoso, ponto em que é soprado e lhe é dada a forma, para no mesmo instante solidificar. Assim o vidro conta uma acção imediata como um sopro, um registo de vontade, uma intenção.
Três sopros são uma corrente de ar."





"Com rosto e corpo tapado, estará a figura ausente ou presente?
Aonde se encontram estas figuras, quem são e que papel estarão a representar?
'Assombros' pretende dar seguimento a um projeto contínuo que aborda questões ligadas à identidade, fragmentação e multiplicidade, oscilando entre o real e o fictício, entre a certeza e a incerteza na representação da figura, do espectro, do corpo que aparenta cobrir e simular."




"Tempo meteorológico e Tempo cronológico confundem-se, aqui, numa metáfora aos estados intermitentes da alma e do pensamento. E quando não sabemos do que conversar, comentamos o estado do tempo."





quinta-feira, março 22



MAVILDE GONÇALVES RAQUEL QUELHAS
PINTURA - CERÂMICA

PROJETO EX-MOVERE
PROJETAR, CRIAR… TRANSFORMAR
Onde a mudança não dá lugar à estagnação. Tudo se transforma. Uma linguagem abstrata e figurativa envolta nas nuances de um véu, perpetuada no movimento do corpo ativo, orgânico e ritmado.

À VOLTA DO VÉU
JACQUES LACAN, PSICANALISTA FRANCÊS, AFIRMOU: «NA FRENTE DO VÉU PINTA-SE A AUSÊNCIA». A AUSÊNCIA DO CORPO, DO TOQUE, DA MATÉRIA. NÃO DOS SENTIDOS E DAS EMOÇÕES. PINTA-SE E ESCULPE-SE O DESEJO, O TEMPO, A AFIRMAÇÃO DO SER. DO SER FEMININO, INSUBMISSO, COSTELA DE NINGUÉM. ÚNICO, SEXUADO, ASSEXUADO, GRÁVIDO DE FEMININO E MASCULINO. SOMOS TODOS HUMANOS. NA FRENTE DO VÉU DESNUDA-SE O SER. EXPRESSA-SE O SENTIR, PROLONGA-SE O MOVIMENTO DO CORPO EXPANDINDO-O NO ESPAÇO. LIBERTAÇÃO. CONQUISTA-SE A VIDA, EM CONSTANTE MUTAÇÃO, RECRIANDO E TRANSFORMANDO A FORMA NA MATÉRIA. CUBRO E DESCUBRO O IMAGINÁVEL. EXPRESSO VIVÊNCIAS, TORNANDO-AS MINHAS.








Con_vento | Sete Pecados e 1/4 |

Pintura, Escultura, Literatura, Música, Teatro, Fotografia e Cinema


7 Artistas 
Arnaldo Macedo 
Adriana Henriques
João Marques  
Pedro Monteiro
Vladimiro Cruz
Bruno Cristóvão 
Fátima Encarnado

7 Pecados
Vaidade, Avareza, Luxúria, Inveja, Gula, Irá e Preguiça


Sabia que Saligia, era uma mnemónica do Sec.VII composta pelas primeiras letras de cada um dos 7 pecados mortais em Latim? 

Superbia, Avaritia, Luxuria, Invidia, Gula, Ira e Acedia. Pois bem, como sabemos o latim caiu em desuso e já não estamos no Sec. VII, logo, o que propomos é uma ida ao Con_vento para saber os pecados que lá vão dentro.
E dentro deste Con_vento a arte de pecar confessa-se cheia de cor às paredes brancas através da Pintura, assassina os votos de silêncio com notas de Música, toma forma e volume nas sombras de corpos nus através da Escultura, acende pagelas com orações de fazer corar as pedras do altar através da Literatura, rouba almas que o Diabo já mastigou através da Fotografia, faz preces aos prazeres do corpo através do Teatro e desafia a Paz dos anjos através do Cinema. A Sétima Arte, presente no Con_vento numa clara analogia á magia do número 7 que domina toda esta exposição colectiva.
Juntar estas expressões artísticas com a preguiça, a ira, a inveja, a avareza, a vaidade e a gula tornou-se num grande desafio quando a eleita deusa padroeira foi a Luxúria.
Todos os pecados fazem o hábito deste Con_vento, mas a Luxúria, a rainha de todos os pecados, a mãe dos prazeres da carne e do desejo, domina todos os outros e destaca-se pela ousadia omnipresente em todas as obras.
São 7 artistas, com abordagens diversas, com 'modus operandi' diferentes que fazem do Con_vento um convite ao crime do pecado.
Perdoai-lhes!
Nunca é Arte demais para quem peca, porque mais vale Arte que nunca!
Amém!





quarta-feira, fevereiro 14



A ideia e o seu suporte

Se o meio é a mensagem, Alexandre Rola é a cor das noites sem abrigo.
 Ao pintar cartões de papelão onde dormem pessoas que não tem casa, Alexandre Rola usou os suportes que se escondem na selva urbana e expô-los nas paredes mais nobres da cidade que é a galeria de arte.
Pintou os excluídos e exibiu os seus rostos. Mostrou os seus olhares. Precisamente aqueles olhares dos quais muitas vezes procuramos desviar pudicamente o nosso próprio olhar, mostrou-nos a noite e a miséria do vão de escada com a dignidade de um artista plástico que não se cala, não se conforma, não desiste.
O seu trabalho é fazer flagrantes gritos de alma com cartões que já embrulharam carne-viva, depois de terem embalado produtos de marca que a sociedade consome e deita ao lixo.
A obra de Alexandre Rola começa, por isso, na ideia genial do suporte de cartão. Prolonga-se depois nos traços grossos da sua fina sensibilidade e desagua na explosão de retratos que desafiam consciências.
Vi pela primeira vez os quadros de Alexandre Rola na Galeria do Clube Literário do Porto. Foi a minha filha Minês que me levou pela mão, surpreendendo-me com esta frase: Ò pai, tens mesmo que ver a força daquela ideia!
A ideia era a reciclagem de materiais deitados ao lixo em arte. Não apenas pela pintura, mas também pelo gesto. Adivinha-se na obra de Alexandre Rola o movimento dos pincéis. Percebe-se a dinâmica das cores. Entende-se a raiva, a fúria e a ternura,
Por isso gostaria de ver este artista num espaço de maior impacto cénico. Acho que a sua exposição deveria estar permanentemente no Banco de Portugal, no Ministério das Finanças ou em qualquer sítio onde se fale muito de dinheiro. Porque o papel de cartão dos sem abrigo é muitas vezes feito do mesmo material com que se produz o luxo e o lixo. São duas faces da mesma moeda. Duas realidades: A Fortuna e a exclusão. Que só a arte consegue sublimar sem demagogia.

Carlos Magno